A Fortaleza

Publicado em 23/05/2013 por Arthur Estevez

Salve Galera.

Repetimos a via A Fortaleza e o França escreveu um relato sobre nossa escalada.
É um clássico que merece mais repetições.
Valeu pelo convite e pela escalada Claudio!!!!!!! :D

1ª enfiada


Claudio França

No sábado dia 11/05 fomos eu e o Arthur na via A Fortaleza na face sul do Pico dos Quatro no Rio de Janeiro. Desde que fiz a primeira vez há 6 anos atrás com um dos conquistadores, o Flávio Leone, já tinha voltando duas vezes e essa seria minha quarta vez. A via é muito maneira! Há um tempo que vinha pilhando o Arthur para conhecer, mas por diversos motivos ainda não tinha rolado.

Partimos às 7 da manhã para a pedra, e por sorte antes de sair eu lembrei que da última vez um arranha gato maldito tinha me dado um trabalho para dominar o platô logo abaixo do crux da primeira enfiada. Peguei minha tesoura de poda velha de guerra e tocamos para a estrada do Joá que liga os bairros de São Conrado e Barra da Tijuca.

Na estrada do Joá, o melhor local para deixar o carro é em um grande largo, para quem vem da Barra da Tijuca, logo após a entrada de um condomínio que fica na parte mais alta da estrada. Bem na frente da entrada desse condomínio existe um terreno baldio cercado por um muro. Pode-se usar um pequeno portão, que muitas vezes está aberto, para acessar o terreno. Uma vez lá dentro descer em diagonal para esquerda até o nível mais baixo do terreno e atravessar um bananal, seguindo um vestígio de trilha ligeiramente a esquerda dele. Continuar subindo até avistar uma grande muralha de terra. Contornar ela pela esquerda por um vestígio de trilha. A medida que for subindo procurar como referencia o que restou de um pequeno muro de pedra. De frente para a parede a trilha passa paralela, a esquerda e abaixo desse muro. Desse ponto em diante tocar reto em direção a parede procurando subir por um vestígio de grota.

Se a navegação estiver em dia a trilha vai dar na parede bem onde existe uma pequena rampa de pedra coberta de musgo verde. Tocar sempre a esquerda margeando a parede e ignorar um grampo solitário, em uma parede mais positiva, de um projeto de via.

Comecei guiando a primeira enfiada, que conta com um lance bacana de 7a logo após o platô do arranha-gato, que tem uma dupla que pode ser usada opcionalmente como parada para reduzir o atrito. Porém, levando-se fitões dá para tocar até a p1 sem muito arrasto. Após o crux a via segue em lances de 6º com graduação constante. Puxei o Arthur e ele já chegou tocando. Fiquei feliz por não ter que guiar a saidinha da P1, um lance que nunca passo completamente tranquilo guiando. Ele consiste de um lance de 7a que segue por uma curta fenda aberta, impossível de proteger. O grampo é alto e a queda é de platô com pêndulo.

Arthur passou batido pela fendinha inicial e pelo lancezinho de aderência e agarrinha de 6sup alguns grampos acima. O crux mesmo dessa enfiada é a passagem por entre algumas bromélias grandes (Alcantarea), logo após a dupla de rapel que está no meio da segunda enfiada. É um lance sujo e delicado.

 

A segunda enfiada acaba bem abaixo dos lances mais técnicos da via. Uma canaleta de uns 15 metros que pelo que me consta ainda não foi encadenado. Como eu pensava que a sequência toda da canaleta dava o 8b, e como os monstros não tinham encadenado, nem perdia tempo e passava esse canaleta em A1. E foi o que fiz, toquei guiando e fiz o lancezinho de 7a logo abaixo da canaleta, um lance de aderência / agarrência e entrei na canaleta em A1 e parei na dupla no meio da enfiada. Essa opção é boa para se reduzir o atrito no final da enfiada, uma sequencia de 7a, técnica e chata. Quando puxei o Arthur ele não quis vir em A1, resolveu experimentar escalando. Falou “vai que?” e veio tocando, para minha surpresa, bem leve. Chegou na dupla falando, essa sequência dá no máximo 7a. Daí continuou tocando, e escalando relativamente leve até o lance final. O 8b que eu achava ser a canaleta toda é na verdade um lance concentrado na saída dela. Após umas duas ou três tentativas o Arthur demostrou todo o talento e mandou o lance.

Antes da Canaleta

 

Na Canaleta

Continuou tocando e entrou na sequência de 7a, que é a mais chatinha de guiar da via. Me puxou e resolvi tentar o 8b mas tem que estar com a pele e a pressão do dedo em dia. Bem difícil e técnico.

Dividimos a quarta enfiada em duas, outra ótima opção, a não ser que se queira fazer lances de 7c com um arrasto gigantesco. Toquei o diedro da quarta enfiada protegendo com um nut no início e toquei direto para o grampo do final dele. O grande lance dessa meia enfiada é a saída desse diedro. Bonito e técnico, tem que pagar para ver!

Saída do Diedro

Puxei o Arthur até a dupla que seguiu guiando a metade final da quarta enfiada. Lances de 7c verticais e Cliff. Mais uma vez, mesmo guiando à vista, guiou bem leve. Essa sequência de 7c talvez seja até mais tranquila de guiar que a de 7a que se segue após a saída da canaleta da terceira enfiada. Nas últimas duas vezes nessa enfiada peguei um vento cavernoso. Dessa vez o tempo estava ótimo. Clima perfeito! Após a sequência de Cliff chegou na P4 oficial (nossa P6).

7c antes do A1

Cheguei e já fui diretamente para a P5 oficial, bem próxima. A quinta enfiada é curtinha, de 4º grau e rende uma linda foto do participante. Nessa hora chegamos a um impasse. O Arthur não estava muito contente em ceder a 6ª enfiada para mim. Mas ela já era minha desde o início. Era a única enfiada que eu ainda não tinha guiado. Parti logo antes que ele mudasse de idéia. rs.

Fotão

Essa enfiada segue em grande parte por uma grande canaleta com lances de 7a bem divertidos. Várias passadas de aderência / agarrência. É a hora de descansar a cabeça, porém no final da enfiada, já fora da canaleta, tem um lance chato de 6º que não te deixa esquecer que a Fortaleza não é dada, e exige até o final. Cheguei na P6 oficial, que deveria ser uma dupla de chapeleta que agora só consta com os parafusos. No lugar tem um bom grampo. Puxei o Arthur que veio bem, rendendo uma foto bacana nesse lance de 6º grau no melhor estilo Prestobarba. Chegou já duplamente arrependido de ter cedido a enfiada. Agora eu tô na dívida! Rs

Enfiada Filé!

Nessa hora o sol já nos alcançava, mas só faltava a fácil e curta enfiada final. Arthur tocou e ficou a procura de uma proteção que deveria existir, mas só encontramos o parafuso. Protegeu com o cabo do nut e tocou até o final. São cerca de 30 metros de 3º grau. Ficamos felizes pelo escaladão e visual sempre deslumbrante do Pico dos Quatro. Parabéns ao Arthur pelo 8b e ao Leone pela via.

Final da via.
Até a próxima!

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